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A diversidade secreta de Automolus infuscatus

Publicado: Sexta, 17 Março 2017 Foto: Eduardo Schultz

A família Furnariidae é uma das mais diversas entre as aves neotropicais, com uma alta diversidade fenotípica e de uso de habitat.

Existem muitas espécies crípticas e vários gêneros bem definidos morfologicamente resultaram ter origem parafilética. Em seu projeto de mestrado em Ecologia, Eduardo de Deus Schultz estudou um desses gêneros, analisando a diversidade críptica e a história evolutiva do complexo de espécies associado a Automulus infuscatus.

Ele usou dois marcadores mitocondriais e três marcadores nucleares para avaliar a diversidade genética em uma amostra de 302 espécimes das seis espécies incluídas no complexo e, pela primeira vez, incluindo amostras das cinco subespécies descritas para A. infuscatus. A análise indicou uma origem parafilética para A. infuscatus, com a existência de pelo menos dois clados não relacionados proximamente. As demais espécies do complexo foram consideradas monofiléticas. A. subulatus, que havia sido classificada tradicionalmente dentro do gênero Hyloctistes, foi confirmada como pertencente a Automolus.

Das 19 linhagens detectadas, 13 corresponderam a subespécies previamente descritas. As demais seis linhagens corresponderam a subdivisões de três outras subespécies. Esses resultados indicam que dados fenotípicos representam uma boa, embora insuficiente, aproximação da diversidade genética no complexo A. infuscatus.

A reconstrução biogeográfica sugere que a área de distribuição ancestral do complexo se localizava no oeste da América do Sul, e que, há aproximadamente 5 milhões de anos, uma rápida radiação centrada na Amazônia ocidental deu origem às quatro linhagens principais dentro do complexo. A origem e diversificação inicial do complexo pode estar relacionada com a formação dos Andes e a consequente evolução do sistema de drenagem e estabelecimento de florestas de terra firme na Amazônia ocidental.

Nessa época os ancestrais do complexo provavelmente migraram de ambientes inundáveis para florestas de terra firme, e populações ficaram isoladas em margens opostas dos maiores rios amazônicos. A diversificação subsequente das linhagens ocorreu no Plioceno-Pleistoceno tardio, sendo que as espécies atuais tem todas uma idade estimada menor que 2 milhões de anos.

A distribuição da maioria das linhagens do complexo A. infuscatus coincide com as áreas de endemismo [Areas of Endemism (AoE)] propostas para a região neotropical.

O trabalho foi recentemente aceito na revista Molecular Phylogenetics and Evolution. A dissertação foi orientada por Camila Ribas.

A foto é de um indivíduo da subespécie A. infuscatus badius capturado no Rio Japurá (Amazonas).

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